14 julho 2009

Um mundo de reacções

A encíclica “Caritas in veritate”, de Bento XVI, gerou um pouco por todo o mundo uma verdadeira chuva de reacções, com os mais variados elogios, que chegaram mesmo ao ponto de defender a atribuição de um prémio Nobel da Economia, pelo texto.



As reacções começaram logo no dia da publicação do documento. O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Jorge Ortiga, em Fátima que a encíclica chega “na hora exacta”, destacando a importância que o texto pode ter para a avaliação dos programas políticos nas próximas eleições, no nosso país.
“Esta carta-encíclica, se fosse lida e meditada por todos os cristãos, em primeiro lugar, e particularmente também pelos políticos, num tempo que se aproxima de eleições e campanhas eleitorais, de programas que vão ser elaborados, estou convencido que seria muito útil”, defendeu o prelado.
Num encontro inédito, destinado a apresentar o novo documento do Papa, o Arcebispo de Braga disse ser necessário discutir o texto “com a sociedade portuguesa”, em especial para ajudar a formar um voto mais “consciente”, como a CEP já tinha pedido na sua última Assembleia Plenária. De acordo com D. Jorge Ortiga, “a Igreja não se quer intrometer em questões políticas, mas há uma doutrina que se repercute em vários sectores da vida”.
Nesse sentido, defendeu que a “Caritas in veritate” (Caridade na verdade) contém um “conjunto de orientações que poderão enriquecer muito a sociedade portuguesa”.
Alfredo Bruto da Costa, presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP), foi o convidado da CEP para comentar a nova encíclica, “um documento extremamente denso”. “O Papa evita que se confunda caridade com sentimentalismo, com um conjunto de bons sentimentos muitas vezes inconsequentes”, adianta.
O especialista considerou que a encíclica não é “sobre a crise”, mas “sobre o desenvolvimento humano”, com um “olhar sobre a caridade na verdade”, escrita “em tempo de crise, mas válido para a situação do mundo antes da crise e depois da crise, se durante a mesma não houver mudanças substanciais”.
D. Carlos Azevedo, bispo auxiliar de Lisboa e presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social, disse à Agência ECCLESIA que com a publicação da sua terceira encíclica Bento XVI oferece-nos um “denso tratado sobre o desenvolvimento de cada pessoa e sobre o desenvolvimento da humanidade na visão cristã”. E acrescenta: “Sentimo-nos como que diante de uma grande e bela tapeçaria tecida pelos fios da caridade e da verdade”.
O Bispo das Forças Armadas e Forças de Segurança, D. Januário Torgal Mendes Ferreira, defende que o empenhamento no social deveria ser a “«bandeira» da Igreja (aberta à direita e à esquerda, na independência e responsabilidade)”.
Num comentário à nova encíclica de Bento XVI sobre a temática do “ensino social” da Igreja, este responsável diz que o texto “oferece-nos a oportunidade da Comunhão e da vontade da mudança do mundo através de critérios indiscutíveis”.
Várias instituições internacionais, até mesmo fora da Igreja Católica, têm manifestado publicamente o seu apreço e admiração pela nova encíclica. “Num momento em que os migrantes são vistos, muitas vezes, como um problema, é de grande importância o convite do Papa a levar em consideração os direitos que, hoje, estão em risco, devido à crise económica e profissional, e de políticas para a segurança que confundem palavras como migrantes e clandestinos”, afirma a Amnistia Internacional.
Para a Cáritas Internacional, o destaque que a nova encíclica de Bento XVI coloca na justiça e no bem comum oferece uma nova visão da economia, da política e da sociedade baseada na responsabilidade partilhada do cuidado pela humanidade e pelo ambiente.
“Centrar apenas no lucro e nos interesses individuais conduziu-nos a consequências viciantes”, afirma por seu lado a CIDSE, plataforma de organizações católicas para o desenvolvimento, sediada em Bruxelas. A CIDSE “sente-se apoiada pelo forte apelo do Papa para um desenvolvimento e progresso económico baseado na ética e na justiça, que coloque o homem no centro”.

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